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mar 25

Roteiro para a Terra Santa: Tel Aviv, Jerusalém e Belém

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Quarteirão Muçulmano, Jerusalém.

Este é o nosso segundo post sobre a Terra Santa (clique aqui para ver o post introdutório), e o primeiro de uma pequena série que busca descrever com detalhes cada uma das regiões de Israel e da Palestina, as suas atrações, cultura e contexto histórico.

Como sempre dizemos, informação é indispensável para curtir integralmente a sua viagem. É indispensável ainda para construir um roteiro mínimo, contendo aquilo cuja visita é essencial. O resto pode ser deixado para decidir quando chegar lá, sem dor na consciência. O planejamento da viagem é importante para o máximo quiproveitamento, mas não pode virar uma prisão, afinal você está de férias!

O objetivo deste post (e da série que mencionei) é ajudá-lo a construir esse roteiro mínimo. Vamos passear pelas principais atrações tanto de Israel quanto da Palestina, para que você saiba o que esperar desses incríveis países.

Assim, sem mais demora, venha viajar com a gente para as mil e uma histórias dessa terra, que tão bem espelha a superação, a espiritualidade e tristeza da humanidade!

Mapa de Israel e da Palestina

Mapa de Israel e da Palestina. As fronteiras de Israel são delimitadas pela chamada Linha Verde, após a Guerra de Independência de 1948/9 (Armistice Delimitation Line, no mapa). Muitos territórios foram anexados por Israel ao fim da Guerra dos Seis Dias em 1967, entre eles, as Colinas de Golan, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, que permanecem sob ocupação israelense até os dias de hoje.

Geografia da Terra Santa

Israel é um país pequeno. Conta com pouco mais de 22.000 km² (quase 28.000 km², se você incluir o território ocupado da Palestina). Ou seja, o país inteiro é do tamanho do Estado do Sergipe, que conta com um pouco menos de 22.000 km².

Ao oeste do país, fica o Mar Mediterrâneo, que banha a sua fértil planície costeira. Ao sul, fica o Deserto Negev, e, no seu extremo, o alegre balneário de Eilat, o único porto de Israel no Mar Vermelho, próximo à quadriciple fronteira: Arábia Saudita, Egito, Israel e Jordânia. Na direção oposta, no norte, ficam as montanhas e vales férteis da Galiléia. Por fim, dividindo Israel e a Palestina da Jordânia fica o magricela Rio Jordão.

Assim, você não vai perder muito tempo em deslocamentos de uma cidade para outra, até porque a maioria das atrações concentram-se na costa do país e na sua região norte.

Foto do Parque Charles Clore, Tel Aviv (foto do Wikicommons).

Foto do Parque Charles Clore, Tel Aviv (foto do Wikicommons).

Geopolítica da Terra Santa

Escrever um post sobre a Terra Santa é difícil.

Já de saída, a pessoa tem que lidar com a seguinte pergunta: qual é o território da Terra Santa? Certamente, inclui o atual território de Israel e da Palestina. Mas e a Jordânia e o Egito? Fica na Jordânia, por exemplo, o Monte Nebo, onde Moisés teria morrido e sido enterrado, logo antes de os hebreus terminarem o seu Exôdo, e adentrar a Terra Prometida. Por sua vez, fica no Egito o Monte Sinai, onde Moisés teria recebido as tábuas contendo os Dez Mandamentos. Assim, não é inadequado falar que a Jordânia e o Egito fazem parte da Terra Santa. Contudo, quando se trata de viajar, tanto o Egito e quanto a Jordânia possuem uma dinâmica de atrações e visitações relativamente autônomas, em relação a Israel e a Palestina. Ora, já que o nosso interesse é ajudar nas viagens dos nossos leitores, quando falarmos de Terra Santa, estaremos falando sobre o território de Israel e da Palestina.

Usar o termo Terra Santa ainda traz uma segunda vantagem. Evita a necessidade de adentrarmos desnecessariamente na polêmica sobre o status político de Israel e da Palestina, para além da sua existência fática. Qualquer manifestação para além da constatação dessa realidade demandaria uma tomada de posição, que é incompatível com o foco e a natureza informativa da presente postagem. Por outro lado, pretendemos no futuro fazer uma matéria sobre a Questão da Palestina, essa sim de natureza claramente opinativa.

Feitos esses esclarecimentos, comecemos o nosso passeio pela Terra Santa por Tel Aviv, a capital econômica de Israel.

Jaffa no final do Século XIX.

Jaffa (Yafo) no final do Século XIX. Segundo a Bíblia, Jaffa (então chamada de Jope) teria sido fundada após o Dilúvio por Jafé, filho de Noé. Há registros arqueológico de ocupação humana da região já no Século XX a.C., o que torna a cidade, um dos locais habitados mais antigos do mundo.

Tel Aviv-Yafo (Jaffa)

Tel Aviv é a porta de Israel para o mundo. Fica aqui o principal aeroporto do país, o Ben Gurion, que recebe a maior parte dos voos internacionais.

Tel Aviv e Jerusalém são dois extremos que exemplificam a diversidade de Israel. Tel Aviv possui pouco mais de 100 anos, é situada a beira do mar, e possui uma atmosfera aberta, moderna e cosmopolita. Por outro lado, Jerusalém foi construída em meio a colinas, há milhares de anos e é uma das cidades mais tradicionais do país, com uma grande população de judeus ultra-ortodoxos, além de devotos de inúmeras outras religiões. Uma simboliza o futuro e a modernidade, e a outra, o venerável passado da região.

Foto de Jaffa nos dias de hoje.

Foto de Jaffa nos dias de hoje. Com o crescimento de Tel Aviv, Jaffa entrou entrou em decadência. Assim, com o contínua expansão e sucesso de Tel Aviv, e a vitória israelense na Guerra de Independência de 1948, Jaffa foi absorvida por Tel Aviv em 1950. Hoje Jaffa é um bairro conhecido pela convivência harmônica entre árabes e judeus, repleto de artistas de rua e frequentado pela juventude de Tel Aviv.

A história de Tel Aviv exemplifica a história de Israel. A cidade foi fundada em 1909 por judeus que imigraram da cidade muçulmana de Jaffa (ou Yafo). Foram movidos pelo desejo de ter uma terra (ou, no caso, uma cidade) só para si. Foi essa também a ideia por trás da fundação do Estado de Israel: dar finalmente um território para os judeus chamar de seu, depois de todas as perseguições suportadas por eles durante os longos séculos em que viveram no território dos outros, principalmente nas mãos dos cristãos europeus.

São engraçadas as voltas que o mundo dá. Hoje Jaffa foi englobada pelo crescimento de Tel Aviv, e funciona como um bairro antigo da cidade.

Tel Aviv é sede da Orquestra Filarmônica de Israel.

Tel Aviv é sede da Orquestra Filarmônica de Israel. Foi fundada em 1936, época em que, por conta do crescente anti-semitismo, muitos músicos de origem judaica estavam sendo demitidos de orquestras ao redor da Europa.

Tel Aviv é o centro econômico de Israel, a sua maior cidade (a sua região metropolitana contém 42% da população do país), mas não a sua capital política. As sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ficam em Jerusalém. Contudo, em Tel Aviv, ficam todas as embaixadas estrangeiras. Isso porque esses países preferiram não tomar partido explícito na disputa entre israelenses e palestinos sobre quem deve ser o senhor de Jerusalém, e como a cidade deve ser administrada. Lembre-se que, de acordo com o Plano de Partilha aprovado pela ONU em 1948, Jerusalém deveria se tornar uma cidade internacional, e não pertencer ao Estado de Israel ou da Palestina. Assim, é comum ouvir que a capital de Israel é Tel Aviv, mas na verdade, é Jerusalém, cidade onde está a sede do Executivo, Legislativo e Judiciário e do quarto poder: o Mossad.

Cidade israelense mais ocidentalizada, Tel Aviv poderia facilmente se passar por uma cidade francesa ou espanhola na costa do Mediterrânea. Seu jeito aberto e cosmopolita contrasta grandemente com a religiosidade e o conservadorismo de Jerusalém. É um dos principais destinos LGBTs do mundo, e anualmente hospeda a maior Parada Gay da Asia, embora infelizmente a concorrência não seja muito grande. Um monumento às vítimas gays do Holocausto foi inaugurado em Tel Aviv em 2014.

Ambassador Shapiro attended the Gay Pride Parade on Friday, June 8, 2012. In Gan Meir park, he met with several groups working for LGBT rights and answered questions from media about LGBT Human Rights. Prior to the kick-off of the parade, the Ambassador took to the main stage. Speaking to a crowd of thousands of marchers he emphasized the recent work of the U.S. government to raise awareness of LGBT rights around the world and acknowledged the achievements of the Israeli LGBT community to gain equal rights. After the speech, he met Embassy personnel marching in the parade with diplomats from other missions in Tel Aviv and joined them along the parade route.

Parada Gay de Tel Aviv, a maior da Ásia. Contou com cerca de 150.000 pessoas em 2014.

Entre os seus museus, destaca-se o Museu da Diáspora Judaica. Inaugurado em 1978, foi considerado um dos mais inovadores do mundo na época. Ao invés de mostrar objetos históricos, ele traz infográficos, mostruários interativos e vídeos curtos, que relatam a história e a cultura da Diáspora Judaica ao redor do mundo.

Outra conhecida atração é o fato de Tel Aviv ter a maior concentração no mundo de prédios no estilo Bauhaus, caracterizada pela sua simplicidade e funcionalidade. Os prédios estão espalhados pela cidade, mas apresentam maior densidade na Avenida Rothschild e no entorno da Rua Ahad Ha’am. O Centro Bauhaus organiza passeios que leva os interessantes aos principais prédios no Estilo Bauhaus da cidade (para saber mais, clique aqui).

Para quem tem mais tempo, uma boa opção é curtir as praias de areia branca de Tel Aviv e passear pela seus charmosos calçadões.

Foto de um prédio no estilo Bauhaus, Tel Aviv (fonte: Wikicommons).

Foto de um prédio no estilo Bauhaus, Tel Aviv (fonte: Wikicommons).

Porta de Sião, Jerusalem.

Porta de Sião, Jerusalém. É um dos oito portões da Cidade Antiga de Jerusalém. Como ele conduz ao Bairro Judeu, na época otomana, era chamado de Portão dos Judeus. Na Guerra de Independência de Israel em 1948/9, a linha de combate entre israelenses e jordanianos passava precisamente aqui. Por isso, as inúmeras marcas de disparos de arma de fogo ao redor do portão. Eventualmente, as tropas israelenses conseguiram penetrar pelo portão e alcançar o Bairro Judeu. Porém, não conseguiram manter o seu controle, e foram forçados a evacuar o bairro. Grande parte da área foi destruída. Os judeus só voltaram a essa vizinhança com a conquista integral de Jerusalém pelos israelenses durante a Guerra dos Seis Dias. O Bairro Judeu foi então reconstruído, e hoje é o mais bonito da Cidade Antiga. Ok, o sorriso na foto não é muito compatível com os fatos ocorridos no local, mas a emoção de estar em Jerusalém invade de alegria o coração de qualquer um.

Jerusalém

Jerusalém é a única cidade que existe duas vezes: uma na terra e outra no Paraíso (ao menos, é o que dizem). Contudo, a antiga Jerusálém não é maior do que um bairro de qualquer metrópole moderna. A simplicidade e a humildade dos muros e prédios da Cidade Antiga, muito diferente das monumentais catedrais européias, conferem-lhe uma aura de espiritualidade e autenticidade, reforçada pelos muitos grupos de devotos que cruzam as suas ruas a todo momento. Jerusalém não é um parque de diversões para turistas, mas um lugar de religiosidade viva e séria, e isso é o que a cidade tem de mais maravilhoso.

A própria cidade antiga é um museu ao céu aberto com ruínas, sinagogas, igrejas, monastérios, mesquitas e uma infinidade de santuários judeus, cristãos e muçulmanos. Em Jerusalém a História é construída todos os dias e você, estando lá, sente isso na pele. Emocionante. Então, venha com a gente borboletear um pouquinho pela história e pelas ruas de Jerusalém!

Muro das Lamentações (fonte: Wikicommons).

Ruínas do Templo de Salomão ou do chamado “Muro das Lamentações” (fonte: Wikicommons).

Mas não só do seu passado vive Jerusalém. Hoje em dia, a cidade está no centro do conflito político entre israelenses e palestinos. Aliás, entre o fim da Guerra de Independência de Israel em 1949 e a Guerra de Seis Dias em 1967 (conflito que se deu entre Israel e seus vizinhos árabes), Jerusalém permaneceu dividida em duas partes: Jerusalém Ocidental e Jerusalém Oriental. Embora as barreiras e os pontos de controle dentro da cidade tenham desaparecido, e toda a cidade hoje se encontre sob o controle de Israel, a diferença entre as duas metades da cidade permanecem muito vivas.

Mapa da Cidade Velha de Jerusalem.

Mapa da Cidade Velha de Jerusalém, dividida nos seus bairros históricos: o Quarteirão Cristão, Judeu, Armênio e Muçulmano.

Existem algumas atrações que são imperdíveis em Jerusalém. Você tem que dedicar, no mínimo, um dia, para passear pelas ruas da Cidade antiga de Jerusalém, e visitar as suas atrações. Entre elas, estão três lugares inestimáveis respectivamente para o Islamismo, o Judaísmo e o Cristianismo: o Monte do Templo, o “Muro das Lamentações” e a Igreja do Santo Sepulcro.

No passado, o Monte do Templo abrigava o templo sagrado que era o coração da fé judaica, aquele Templo de Salomão. Para se ter uma ideia, a mesma magnitude daquele lá em São Paulo, construído pelo “Bispo” Edir Macedo. Era lá que os antigos hebreus faziam as suas oferendas para Deus (Yahweh, em hebraico). Na verdade, já na época de Jesus o monte propriamente dito já sido encoberto por uma gigantesca plataforma. O Templo foi destruído pelos romanos no ano 70, e somente a parede ocidental da plataforma sobreviveu. Tal segmento é chamado de Muro das Lamentações, e recebe esse nome, pois, a partir do período otomano, os judeus passaram a visitar e orar no local, para lamentar a destruição dos templos sagrados, conforme a versão dos vencedores. De acordo com a versão do judeus, eles não se lamentam perante o que restou do tempo, mas a forma pela qual eles fazem suas orações, balançado o corpo, mostrando seu fervor, levaram os observadores a crer que eles se lamentam perante o muro, daí o nome “Muro das Lamentações”.

Visão aérea da Cidade Antiga de Jerusalém, com o Monte do Templo ao centro.

Visão aérea da Cidade Antiga de Jerusalém, com o Monte do Templo ao centro (Foto de Andrew Shiva). Foi supostamente pelo Monte do Templo que Deus teria iniciado a criação do mundo, e teria sido também nesse mesmo lugar que Abraão teria oferecido o sacrifício de Isaac a Deus. Daí a sua enorme importância religiosa.

Após a destruição do Templo de Salomão pelos romanos, o Monte do Templo ficou abandonado por muitos séculos. Mesmo com o surgimento e o domínio do Cristianismo, ele foi mantido em ruínas. Entendia-se, naquela época, que as ruínas eram um símbolo do poder profético de Jesus Cristo, pois ele teria previsto a destruição de Jerusalém.

Foram os árabes transformaram o abandonado Monte do Templo no al-Haram al-Sharif, o Nobre Santuário. Lá eles construíram dois dos seus prédios mais sagrados: o Domo do Rocha e a Mesquita Al-Aqsa. Começaram então os problemas… um mesmo lugar sagrado para dois povos.

Modelo de Jerusalem, Museu de Israel, Jerusalem.

A gigantesca maquete de Jerusalém nos tempos de Jesus, Museu de Israel, Jerusalém. Foi construído inicialmente para um hotel, o Hotel Terra Santa, mas depois foi movido para o museu onde está ate hoje. Essa maquete é top!

O Domo da Rocha é o prédio muçulmano mais velho ainda em existência. O santuário envolve a rocha que é o ponto alto do Monte do Templo, e tem grande significado religioso, pois teria sido ali que Abraão teria quase sacrificado seu filho (a depender da versão Isaac ou Ismael) por ordem de Deus. Lembre-se de que Abraão é pai de Isaac e Ismael. Ismael, filho da escrava Agar, para os muçulmanos, é o pai do povo árabe, e junto com seu pai, Abraão, teria construído o lugar mais sagrado hoje no Islã, a Caaba, a pedra preta que fica em Meca, na Arábia Saudita (um dia vamos lá!). Já o Isaac, filho da Sara, você deve se lembrar de ele é mega importante na linha antecessória de Jesus. Isaac é pai de Jacó, que é pai dos doze meninos que deram origem as doze tribos de Israel, inclusive, do ministro do Faraó, José, aquele que foi vendido pelos irmãos, lembra?

Bom, tudo isso só para lembrar que judeus/cristãos e muçulmanos são tudo do mesmo saco, da mesma família, até na origem… talvez seja por isso que brigam tanto.

Já a Mesquita Al-Aqsa (“A Mesquita Mais Distante”, em árabe) é o terceiro lugar mais sagrado para os muçulmanos. Fica atrás apenas de Meca (Pedra Petra – Caaba) e de Medina (cidade do Maomé). Os seguidores do Islã acreditam que Maomé foi transportado da Mesquita Sagrada em Meca para o local da Mesquita Al-Aqsa durante a chamada “Jornada Noturna”. Em 621 (D.C), Maomé teria empreendido uma viagem física e espiritual de Meca para Jerusalém, e de Jerusalém para o Paraíso, para falar, em carne e osso, com Deus (Allah, em árabe). Nessa conversa, Deus teria transmitido a Maomé as regras relacionadas à oração para os muçulmanos. Lembre-se de que a oração é um aspecto fundamental do Islã, já que o fiel precisa rezar 05 vezes por dia (no caso dos sunitas) ou 03 vezes por dia (no caso dos xiitas) – já falamos bastante disso em outro post – clique aqui, você vai gostar. Assim, foi do local onde hoje é a Mesquita Al-Aqsa que Maomé teria ascendido ao Céu. Daí a sua importância e seu caráter sagrado.

Vista da encosta do Monte das Oliveiras, e do enorme cemitério que existe ali. Muitos judeus acreditam que a Ressurreição começará aqui.

Vista da encosta do Monte das Oliveiras, e do enorme cemitério que existe ali. Desde a Antiguidade, muitos judeus querem ser enterrados aqui. É que, segundo uma tradição judaica, quando o Messias chegar, a ressureição dos mortos terá início aqui. Há cerca de mais de 150.000 tumbas, algumas datadas dos tempos bíblicos, com a de Absalom, filho de Davi. Muitas delas são novas, e não milenares, como a idade do cemitério indicaria. É que durante a ocupação da região pela Jordânia, após a Guerra de Independência de 1948/9, o cemitério foi profanado, e muitas lápides foram usadas como calçamento de ruas. Terríveis são as consequências do ódio. Segundo nosso guia, um lugarzinho nesse cemitério aí pode custar a bagatela de US$ 150.000,00. Afinal, daí os mortos ganharão vida no dia do Juízo Final. Melhor garantir. Vai que…

Já a Igreja do Santo Sepulcro foi construída no local onde ficava, no passado, o Monte Calvário, a Gólgota, o Monte da Caveira, onde Jesus foi crucificado, bem como o túmulo onde ele foi enterrado, antes de sua ressurreição. Ou, ao menos, é isso que a tradição nos conta. Acreditamos que a Igreja do Santo Sepulcro seja a mais interessante do mundo em experiência sócio-antropológica. Uau! Acreditem: em tese, o lugar mais sagrado do cristianismo é controlado, desde 1767, por famílias muçulmanas, que detém as chaves da Igreja e todos os dias abrem as portas para os fiéis do mundo todo. E você, claro, se pergunta: Hein? Claro! A Igreja do Santo Sepulcro é dividida em 5 Igrejas, cada qual dominada por uma vertente de cristianismo, que, pasmem, não se dão e nunca se deram bem entre si. São as seguintes: Igreja Cristã Copta (proveniente do Egito, do mesmo lugar onde Moisés teria sido encontrado), Igreja Cristã Etíope (tipo, da Etiópia, onde estaria a Arca da Aliança até hoje, aquela mesmo do filme do Indiana Jones), Igreja Cristã Ortodoxa Russa (aquelas dos telhados em forma de pirulitos – clique aqui para saber sobre a Rússia), Igreja Cristã Ortodoxa Grega e, finalmente, a Igreja Cristã Católica Apostólica Romana (a do Papa Chico Fofo). Imaginem como é visitar esse espaço onde circula gente do mundo todo, com crenças aparentemente iguais, mas totalmente diferentes, e que compartilham dos mesmos lugares sagrados. Gaste um bom tempo lá só observando, você vai adorar suas lembranças depois.

Ein Karen, Jerusalem.

Ein Karen, Jerusalem.

Já nos arredores de Jerusalém, há uma enorme riqueza de opções para visitar. Para os interessados na história do Cristianismo, o bucólico vilarejo Ein Keren abriga o local onde João Batista teria nascido, além de outros lugares relacionados a passagens do Novo Testamento, como Yardenit, o local onde Jesus teria sido batizado pelo seu primo João Batista. É possível até se batizar lá ou renovar seus votos do batismo no mesmo rio Jordão, por alguns dólares americanos.

Perto de Jerusalém, fica ainda o Museu Yad Veshem, dedicado a um das mais trágicas passagens da triste história do povo judeu: o Holocausto. Os judeus usam o termo Shoah, e não Holocausto, para se referir ao genocídio levado adiante pela Alemanha Nazista. Isso porque holocausto significa originalmente um sacrifício sagrado queimado inteiramente no altar. Assim, possui um sentido sagrado que alguns preferem evitar. Por sua vez, Shoah significa simplesmente destruição, aniquilação.

Santuário do Livro, Museu de Israel. É aqui que ficam guardados e expostos ao público os Manuscritos do Mar Morto,

Santuário do Livro, Museu de Israel. É aqui que ficam guardados e expostos ao público os Manuscritos do Mar Morto,

Vale ainda visitar o Museu de Israel, que abriga os famosos Manuscritos do Mar Morto, que trazem os ensinamentos dos misteriosos essênios, um grupo de judeus ascetas que supostamente teriam influenciado os ensinamentos de Jesus Cristo.

Esses lugares são apenas aperitivos do que Jerusalém tem para oferecer. Incontáveis histórias bíblicas tem Jerusalém como cenário. E, além disso, os inúmeros povos passaram pela cidade deixaram nela a sua marca: judeus e árabes, romanos e cruzados, turcos e britânicos, entre muitos outros. Do traçado das ruas ao traçado dos muros da Cidade Antigo, tudo em Jerusalém transpira história. É uma cidade de mil e uma histórias, o que pode ser um pouco intimidador para o turista. Mas conhecer essas histórias torna a experiência da cidade muito mais rica.

 Por isso, estamos preparando um post contando uma versão compacta da história de Jerusalém dos cananeus até os dias de hoje, para que você possa aproveitar ao máximo essa cidade, que, de certa forma, é ainda o centro do Mundo. Aguardem que ainda em muito mais!

Muro de Belém, Israel.

Belém, Israel. Com o aumento dos atentados terroristas durante a Segunda Intifada (2000-2005), o governo israelense decidiu construir uma enorme muralha, separando Israel da Cisjordânia. Esse empreendimento recebeu o apelido de Muro da Separação ou Muro do Apartheid. Apesar da gigantesca polêmica, a sua construção resultou em uma diminuição dramática de atentados terroristas contra civis no território de Israel. Por outro lado, o muro isola política e economicamente Jerusalém Oriental da Cisjordânia, o que, de acordo com alguns, teria como objetivo de favorecer a manutenção da totalidade de Jerusalém sob o domínio de Israel em um eventual acordo de paz.

Belém

Bem pertinho de Jerusalém fica a cidade onde nasceu tanto Jesus quanto o Rei Davi: Belém. Apesar da proximidade com a capital de Israel, a cidade localiza-se nos Territórios Palestinos. Em razão disso, na parte de Belém voltada para Jerusalém existe um muro, um muro bem grande.

Na verdade o território de Israel e da Palestina, é dividido em três grupos: Grupo A, Grupo B e Grupo C. No Grupo A, a administração e o policiamento da área cabe a Israel. No Grupo B, o policiamento ainda cabe a Israel, mas a administração local, aos palestinos. E no Grupo C, tanto o policiamento quanto a administração local cabe aos palestinos. Existem muros em todo local onde territórios do Grupo A fazem fronteira com território do Grupo C.

O caminho mais curto para chegar em Belém passa pelo muro, e, para entrar, passa-se por um controle de passaporte. Não foi por aí que nós fomos. Belém não é completamente cercada pelo muro. É possível sair de Jerusalém (território do Grupo A), passar para um território do Grupo B e daí entrar em Belém sem passar por qualquer muro ou controle de passaporte, já que não existem barreiras entre regiões do Grupo B e C. Para isso, basta pegar um pequeno desvio que estende o passeio míseros 10 minutos aproximadamente.

Em Belém, sem dúvida a principal atração é a Igreja da Natividade. Ela foi construída sobre a manjedoura onde supostamente Jesus teria nascido.

Igreja da Natividade, Belém.

Igreja da Natividade, Belém. Erguida em 325, por Helena, mãe do Constantino, a Igreja da Natividade é uma das mais velhas do mundo. Claro que, desde então, ela já foi reformada algumas vezes. Mas muitas das suas colunas são ainda originais, ou seja, do Século IV! É uma das poucas da Terra Santa que nunca foi inteiramente destruída.

Belém

Belém, Jerusalém. O Muro da Separação é chamado por alguns de o “maior grafite de protesto do mundo”. Inúmeros artistas internacionais já deixaram o seu grafite no muro, como forma de protesto contra a sua existência. Todavia, muitos palestinos não veem com bons olhos essa iniciativa. Isso porque elas embelezam o muro, e ocultam o seu verdadeiro significado: o muro de uma prisão. As dificuldades de deslocamento decorrente das barreiras e e do controle do movimento de pessoas custa centenas de milhões de dólares à economia palestina, já severamente empobrecida pela constante instabilidade da região.

Sugestão de Roteiro

Por fim, sugerimos o seguinte roteiro para você conhecer Tel Aviv, Jerusalém e Belém, sozinho ou acompanhado de um guia. A organização do tempo pressupõe a disponibilidade de um carro. Caso não tenha veículo, e dependa de transporte público, você deverá, no mínimo, dividir o Dia 3 em dois dias. Dito isso, vamos ao roteiro:

Dia 0: Chegada em Tel Aviv. Caso haja disponibilidade, e o seu horário de chegada permita, você pode comprar ingressos para assistir a uma apresentação da Orquestra Filarmônica de Israel. Hospedagem em Tel Aviv.

Dia 1 (Tel Aviv): Tour em Tel Aviv. Pela manhã, visite Jaffa e faça o tour do Centro Bauhaus. Depois do almoço, visite o Museu da Diaspora. Em seguida, vá para Jerusalém.

Dia 2 (Jerusalém): Tour em Jerusalém. Aprecie uma vista panorâmica de Jerusalém a partir do Monte das Oliveiras, e visite o Jardim de Getsamane e a Igreja da Agônia. Em seguida, vá para o Monte Sião, descubra a Igreja da Dormição de Maria e a Tumba do Rei Davi. Entre em Jerusalém pela Porta de Sião, e passeie pelo Quarteirão Judeu, observe as suas lindas sinagogas e o Muro das Lamentações. Explore o Monte do Templo. Depois do almoço, percorra a Via Dolorosa, atravessando o Bazar do Quarteirão Muçulmano, até a Igreja do Santo Sepulcro. Passeie por cima das Muralhas. À noite, você pode assistir um espetáculo de luzes na Torre de Davi.

Dia 3 (Jerusalém). Tour em Ein Keren e visita ao Yad Vashem (Museu do Holocausto). Depois do almoço, visita a Belém. No retorno, visita aos manuscritos do Mar Morto e à gigantesca maquete que retrata Jerusalém no tempo de Jesus, ambas no Museu de Israel. Caso deseje ver o restante do museu, é melhor separar mais uma manhã só para isso.

Mural de azulejos próximo da Rua Jafa, Jerusalém.

Mural de azulejos próximo da Rua Jaffa, Jerusalém.

1 menção

  1. Conheça a Terra Santa - Monte Nebo e Madaba - Borboletando por aí

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