«

»

jan 27

VIAJAR PARA A CHAPADA DOS GUIMARÃES: O UMBIGO DA AMÉRICA DO SUL

IMG_4962

1.500 km do Oceano Atlântico. 1.500 km do Oceano Pacífico. O lugar mais longe do mar da América do Sul!

Num ponto equidistante 1.500 km entre os oceanos Atlântico e Pacífico, a 62 km de Cuiabá, capital do Estado do Mato Grosso, no Brasil, situa-se o município de “Chapada de Guimarães” (é “de” mesmo e não “dos” Guimarães). Infelizmente, é um local pouco conhecido ainda pela maioria dos brasileiros. Com um clima surpreendentemente ameno, comparado ao calor de Cuiabá, sacramentado na música do Skank, Chapada de Guimarães seria a “Campos do Jordão” de Mato Grosso, mas com muito mais belezas naturais… Inúmeras cachoeiras com tamanhos e colorações de águas diferentes, um conjunto de paredões vermelhos únicos no país, a “Chapada”, que não deixa nada a desejar ao Grand Canion estadunidense. Na realidade, a disputa pende para o nosso lado, pois a magia da Chapada é reforçada pelas lindas araras vermelhas que circundam a região, pelo contraste dos paredões com o verde escuro das matas. Isso, sem contar todo o misticismo que envolve o local, o centro geodésico da América do Sul, o umbigo do continente, nos arredores do Paralelo 15.

Hum.. curtiu? Então embarque conosco nessa exuberante aventura, no umbigo do continente!

IMG_5149

Cachoeira Véu da Noiva! Todo lugar que se preze tem que uma, né?

IMG_5084

Paredões da Cidade de Pedra

O que é a Chapada dos Guimarães?

Chapada de Guimarães é pequena, mas a cidade é antiga. Remonta a Fazenda Buriti-Monjolinho em 1720, que passou pelas mãos dos jesuítas que vieram para região, com o objetivo de catequisar os índios Boróros e Caiapós. Depois, o povoado converteu-se em uma vila, na qual foi construída a bela Igreja de Nossa Senhora de Santana que está no centro da cidade até hoje, e logo se tornou a Chapada de Guimarães.

Contudo, a região começou a ser explorada turisticamente apenas em meados da década de 1970, quando místicos resolveram habitá-la em razão de sua “posição energética”. A Chapada de Guimarães localiza-se no Paralelo 15 Sul, o qual daria abrigo à passagem de um fluxo eletromagnético, associado a um tal de “Corredor Bivac” (corredor eletromagnético), aquele mesmo que passaria por cidades como Porto Seguro, Brasília e o Lago Titicaca. Tal “corredor” possibilitaria pessoas iniciadas um maior contato com os elementais e seres de outras dimensões (!) (?). Um desses místicos, que acabou virando professor de Geografia na região, foi Jorge Belfort Mattos Jr., que estudou a área, e escreveu uma monografia que você pode acessá-la AQUI, e assim relatou as informações do local:

“A Chapada dos Guimarães possui uma paisagem exótica, sua vegetação é o cerrado (a savana brasileira) que tem a maior concentração de plantas medicinais por quilometro quadrado. Situa-se sobre uma das mais antigas placas tectônicas do planeta, e é a borda do Planalto Central Brasileiro, com uma paisagem ruiniforme que reúne várias eras geológicas estampadas em sua paisagem, desde há 500 milhões de anos quando havia uma grande camada de gelo sobre a região. Há 300 milhões de anos, foi mar, o qual cedeu há 150 milhões de anos e a vegetação servia de alimentos aos animais pré-históricos (os dinossauros) até serem extintos. Há 15 milhões de anos temos a modificação mais marcante na paisagem, com o surgimento da Cordilheira dos Andes, a região onde hoje é a Planície Pantaneira afundou, criando então a borda da Chapada com uma diferença de altura vertical de mais de 350 metros. Em um passeio, é possível observar as marcas deixadas no arenito, achar fósseis de conchas do mar até hoje preservadas pelo arenito ou na hematita (rocha negra ferrosa), observar as dunas do antigo deserto preservados pelo arenito bem visíveis na região do Portão do Inferno, ou até mesmo as inscrições pré-históricas deixadas em alguns dos 46 sítios arqueológicos cadastrados pelo IPHAN.”

IMG_5078

Delicadeza bruta do cerrado.

O clima da região também garante a unicidade ao lugar, pois, por ser um local a 800 metros acima do nível do mar, cultiva temperaturas amenas, médias de 19º C, chegando facilmente a 12ºC .

A beleza e a energia do lugar e suas características peculiares talvez tenham sido os motivos que atraíram os índios Boróros para a região. No passado, de tempos em tempos, esses índios faziam retiros espirituais nas cavernas e nos paredões da Chapada de Guimarães, a fim de energizarem-se com o “sagrado” e retornarem ao cotidiano de suas atividades mundanas, profanas. Vestígios de cultos indígenas e ossos já foram encontrados nas cavernas da região, o que reforça o misticismo do lugar.

A região conta com diversos atrativos naturais: trilhas, cachoeiras, paredões, natureza, ingredientes perfeitos para um bom feriado longe da agitação. A cidade de Chapada de Guimarães é o local central e o indicado para a estada. Ela tem um turismo incipiente ainda, mas conta com restaurantes bons e diversificados.

A proteção legal da natureza fica por conta do Parque Nacional Chapada dos Guimarães, que é bem diversificado. Possui quase todos os tipos de cerrados (campo limpo, campo sujo, campo, cerrado sentido estrito, cerradão, mata seca, mata de galeria, mata ciliar e vereda) e tem 33 mil hectares de área. A fauna é representada pelo veado-campeiro (que chegamos a ver um), lobo-guará, aves e infinitos e gordos gafanhotos!

IMG_5068

Borboleteando na Cidade de Pedra

Quando ir?

“É como não sentir calor em Cuiabá”… o trecho da música “Te ver” do Skank não reflete a realidade de Chapada de Guimarães apesar de ela ficar a apenas 70 km de Cuiabá. O local é friozinho aos padrões brasileiros, com temperaturas médias anuais de 21,5º C a 25º C. Ou seja, captou a mensagem? Leve um casaquinho sempre…

Mas é possível viajar para lá em todas as épocas do ano. Contudo, a época da seca, que vai de abril a setembro, é a melhor para admirar as paisagens, e tirar fotos mais vivas e límpidas. Como a região é de cerrado, há o problema das queimadas naturais e criminosas, o que deixa a paisagem com aquela fumaça chata, principalmente de julho a outubro. Nós fomos lá no feriado de 12 de outubro. Houve chuvas fortes, mas gostamos muito da experiência, pois o clima ficou fresquinho e vimos arco-íris e o pôr-do-sol foi lindo com aquele céu e cheirinho de chuva. De outubro a março, as chuvas são mais constantes, mas o calor do verão incentiva os banhos nas cachoeiras, que não têm águas gélidas como a Chapada dos Veadeiros! Só fiquem ligados sobre a possibilidade de trombas d´água… Por isso, sempre contrate um guia local e seja responsável com sua própria segurança. Aliás, esse problema de tromba d´água/desabamentos é muito sério no local e houve um acidente muito grave, com morte, na Cachoeira Véu da Noiva, que foi a causa da interdição da trilha inferior ao local. Veja AQUI a reportagem.

Nos fins de semana, a cidade é tomada pelos cuiabanos que curtem um sertanejo (inevitável… rs, mas é possível fugir para algumas pousadas mais cults), já que a cidade é a “Campos do Jordão” deles.

IMG_4755

Divirta-se com as formações rochosas da Trilha da Caverna Aroe Jari

Como ir?

Chegando a Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso, é possível chegar a Chapada de Guimarães de ônibus ou de carro, pegando a MT 251, em boas condições. Nós fomos por agência de turismo, a Eco Turismo Cultural, mesmo porque nunca tínhamos visitado a região e possuíamos apenas três dias. Assim, a agência já providenciou um pacote fechado, ou seja, com transfer ida e volta de Cuiabá/Chapada de Guimarães, passeio, hospedagem. Uma curiosidade dessa agência é que ela é administrada pelos filhos do prof. Belfort, aquele citado acima.

Contudo, o melhor cenário é ir com mais tempo e alugar um carro em Cuiabá, o que pode ser feito no aeroporto, que é bom para o tamanho da cidade, pegar a estrada por você mesmo e chegar até Chapada de Guimarães. Lá contrate guias locais ou procure uma agência de turismo para organizar os passeios no seu carro ou no transporte deles, a depender do atrativo.

O carro compensa porque as melhores pousadas ficam afastadas do centro da cidade e como o transporte ainda é precário por lá, você ficará reféns dos poucos táxis que existem para curtir a noite no centrinho, depois dos passeios. Com seu próprio carro, a liberdade é garantida.

IMG_5009

E de moto? Tá valendo também! Essa belezura faz parte da decoração do restaurante Atmã!

Com quem ir?

É possível conhecer os atrativos da Chapada sem contratar um pacote fechado como fizemos. Você aluga um carro em Cuiabá, vai até a cidade Chapada de Guimarães e consegue por lá mesmo guias locais ou mesmo vai até uma agência e consegue guias para o dia. Em alguns atrativos, o guia é obrigatório, como a Caverna do Aroe Jari e o circuito das Cachoeiras do Parque Nacional. Trilhas do Parque são perigosas e como você não sabe o caminho, que também não é muito bem sinalizado, melhor opção é contratar um guia local para não estragar seu passeio e garantir a segurança. Existe um aplicativo grátis para Iphone e Android no celular sobre a Chapada AQUI, que também dá dicas de passeios e guias!

É possível fazer esportes de aventura como rapel, canoagem, rafting e também cavalgada. No centrinho da cidade, há várias agências com passeios diferentes.

IMG_5023

Amiga a nos observar na trilha.

Quanto tempo ficar?

Acho que quatro dias inteiros ou cinco dias é o ideal para conhecer os atrativos da Chapada de Guimarães a contento e com certa tranquilidade. Ficamos apenas três dias inteiros lá e ainda faltou fazer a famosa trilha do Morro de São Jerônimo e a trilha da cidade de pedra, pela parte de baixo, motivos para retornarmos, com certeza, à região. Assim, programe-se para ficar quatro dias ou cinco dias, se você é adepto das trilhas fortes!

O que levar?

De fato, a cidade de Chapada de Guimarães é pequena e de turismo inicial, dificilmente você encontrará os produtos que gosta por lá. Assim, mesmo contratando um pacote com guia, protetor solar e repelente são essenciais. Chapéu também é importante e também uma capa de chuva, pois sempre chove.

Uma boa bota para caminhar ajudará bastante, principalmente, se você quiser fazer a trilha do Morro de São Jerônimo, o Circuito das Cachoeiras e as Caverna Aroe Jari, mesmo porque nesse último percurso é comum a presença de cobras, e por isso usamos perneiras, apesar de não termos visto uma viborazinha sequer. Lembre-se de que a bota de trekking é um bom investimento se você curte um mato, porque ela dificulta lesões nos tornozelos, além de ser ótima para dar passos mais largos! Se você não tiver, separe um tênis mais velhinho e confortável.

Camisetas leves, de preferência de material dry fit (porque seca rápido), são ótimas dicas, para as chuvas rápidas. Não leve calça jeans, são pesadas e calorentas. Prefira as calças de dry fit, tactel, ou lycra, mesmo porque você precisará de mobilidade para visitar, a todo momento uma cachoeira, um atrativo. Assim, já saia com a roupa de banho e uma roupa leve.

Em geral, as refeições não estão incluídas. Portanto, abasteça-se de comida em sua mochila para não passar trabalho. Atente-se também para sempre reabastecer suas garrafinhas de água nas pousadas.

Essencial levar também sua malinha de remédios. Já falamos sobre isso AQUI, onde há dicas fundamentais para não ficar dodói na viagem.

Seja econômico. Afinal, sua liberdade é proporcional ao tamanho da sua bagagem.

IMG_4617

Prainha. Circuito das Cachoeiras no Parque Nacional Chapada dos Guimarães.

Onde ficar?

Há várias pousadas próximas a cidade de Chapada de Guimarães. Nós ficamos na Pousada Villággio e recomendamos muito. Apesar de ficar um pouco longe do centro, como todas as boas hospedagens por lá, o local é super charmoso e muito bem cuidado pelos queridos donos, o Otávio e o Murilo, que são muito amáveis com os hóspedes. A casa é linda e o destaque vai para o delicioso café-da-manhã feito pelos próprios donos com muito carinho e habilidades culinárias.

Há também a Pousada Atmã que fica bem mais afastada da cidade, cujo principal atrativo é a vista para um paredão enorme. Os valores são mais caros também e há poucos lugares. Se você não conseguir vaga lá, pode aproveitar a vista a partir do restaurante da pousada de mesmo nome, que serve ótimos pratos e sobremesas. Guarde a visita para o fim da tarde, uma “almojantinha” depois de um passeio que, com certeza, abrirá seu apetite.

IMG_5011

Aconchego da pousada Villággio.

IMG_7439

O melhor café-da-manhã! Olha só… boca cheia até para a foto! kkkkk

O que fazer por lá?

A maioria dos pacotes incluem como atrativos as seguintes atividades:

IMG_4583

Circuito das cachoeiras no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães foi criado em 1989, tem temperatura média de 24 ºC e estações bem definidas. Em razão de seus 33.000 hectares, há muitas atividades, mas ele ainda não é muito explorado e por isso exige guias para a visitação. O guia é pago por sua conta, mas a entrada no parque é livre e funciona em um mecanismo antigo, você pega a chave da porteira da entrada do circuito das cachoeiras e depois a devolve até as 17h00.

Para chegar à entrada do parque é fácil, há a estrada asfaltada até lá, mas, naturalmente, o carro fica do lado de fora, em frente à porteira e a caminhada é feita a pé.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Cachoeira das Andorinhas. Circuito das Cachoeiras no Parque Nacional Chapada dos Guimarães.

Em uma manhã ou em uma tarde é possível fechar o circuito das cachoeiras. Ou seja, entre 03 ou 04 horas o circuito é completado, passando por várias cascatas. A trilha não apresenta maiores dificuldades e ao longo do caminho, seguindo a mata ciliar do Córrego da Independência, que nasce dentro do parque, você passará pela Cachoeira das Andorinhas, da Prainha, do Degrau e do Pulo.

O caminho, pelo menos no mês de outubro quando visitamos o local, é infestado por vários gafanhotos gigantes! Agora a gente consegue imaginar o que deve ter sido a praga de gafanhotos no Egito! Além disso, há várias espécies de borboletas que chegam a pousar em você para deliciar-se com o “salgadinho” do seu suor.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

“Cuide bem do seu jardim e as borboletas virão até você”. Mário Quintana. Cachoeira do Degrau. Circuito das Cachoeiras no Parque Nacional Chapada dos Guimarães.

Outro destaque é a Casa de Pedra, um abrigo de pedra, que além de ter servido de cenário para a abertura da novela “Fera Ferida”. É um local histórico, que os índios bororos utilizavam para rituais e mesmo para abrigo, quando vinham até a Chapada dos Guimarães para encontrar com os espíritos ancestrais.

IMG_4596

Andorinhas. Circuito das Cachoeiras no Parque Nacional Chapada dos Guimarães.

IMG_4680

Casa de Pedra. Circuito das Cachoeiras no Parque Nacional Chapada dos Guimarães.

Cachoeira Véu da Noiva

Ok, todo lugar tem a sua cachoeira Véu da Noiva, né? Mas eu garanto que a da Chapada dos Guimarães é especial e é um sacrilégio deixar de visitá-la, mesmo porque é muito fácil ir até lá. Atualmente, não se pode chegar nem por cima e nem por baixo da cachoeira através das trilhas, pois em 2008 houve um terrível acidente, no qual uma enorme placa de pedra, do tamanho de um ônibus turístico, despencou e uma jovem foi atingida fatalmente. Assim, a visitação é feita por meio de um mirante muito acessível, de onde se é possível tirar muitas fotos. A queda do rio Coxipó tem 86 metros de altura e é circundada por paredões vermelhos únicos no país!

IMG_7465

Para chegar à atração, é muito fácil. Fica próximo da portaria de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no mesmo lugar onde se pega a chave para o Circuito das Cachoeiras. Em uma ou meia hora, você já conclui o passeio. O horário de funcionamento é das 9h00 até as 17h00.

Como fica do lado do Circuito das Cachoeiras, prepare-se para fazer os dois juntos, ou seja, vá cedinho para o circuito das cachoeiras, leve um bom lanche, e depois vá para a cachoeira Véu da Noiva e “almojante” no restaurante da Pousada Atmã ou nos restaurantes “Morro dos Ventos” para curtir o pôr-do-sol.

IMG_4998

Comida boa e vista linda do restaurante Atmã.

Caverna Aroe Jari e Gruta da Lagoa Azul

Fora dos limites do Parque Nacional, é possível visitar a Caverna Aroe Jari e da Gruta da Lagoa Azul. O passeio dura cerca de 6 horas, a depender se seu condicionamento físico e também da escolha do transporte do retorno. Assim, guarde um dia para o atrativo e faça o mesmo esquema da “almojantinha”.

O local é particular, e, por isso, exige guia e pagamento da entrada. O passeio é variado e muito bonito. Fica a 42 quilômetros de Chapada de Guimarães, acesso tranquilo com carro de passeio. Durante o caminho, você conhece vários tipos de cerrado, de plantas medicinais e tem vários ângulos para fotos de paisagens incríveis. Há cachoeiras para banho, assim, vá preparado.

IMG_4790

Caverna Aroe Jari

Em razão da presença de cobras, a administração do atrativo oferece “perneiras” aos visitantes. Use, custa nada a prevenção!

A caverna Aroe Jari era um local sagrado para os índios Bororos, que na língua deles significa “Morada das Almas”, onde eles “enterravam” seus mortos. Na verdade, eles guardavam os corpos/ossos dentro de urnas funerárias em formas de potes, costume comum entre nossos indígenas. A caverna é uma das maiores de arenito do Brasil (1.400 metros de extensão). Assim, não conte com as formações estalactite/estalagmites (espeleotemas) presentes nas grutas de natureza calcária. Contudo, caminhar no meio da escuridão é uma experiência incrível. Não levamos lanternas, pois os guias as fornecem. Mas se você preferir leve sua lanterna de cabeça.

IMG_4802

A “Morada das Almas”.

Logo depois dessa caverna, o passeio continua até a Gruta da Lagoa Azul, que, se você estiver sorte de um dia ensolarado, poderá apreciar a cor azul intensa, resultado da presença de microalgas na água. Não são permitidos banhos.

IMG_4855

Gruta Azul

Ao longo do caminho, encontram-se formações engraçadas de pedras, pontes, arca de Noé/Titanic (?), tudo que sua imaginação permitir.

IMG_7380

Ponte de Pedra.

Para finalizar o passeio, uma caverna maravilhosa de nome Kiogo Brado (ninho das aves), que rende muitos UAUs em razão de seus enormes paredões e, é claro, fotinhas incríveis.

IMG_4925

Fim da caverna Kiogo Brado.

IMG_4922

Atravessamos a caverna por essa fresta.

A dica que compensa muito é já RESERVAR SUA VOLTA DE TRATOR! Não se trata de preguiça…rs.. É economia de tempo para aproveitar o centrinho da cidade. Custa cerca de R$ 10,00, por pessoa, além do ingresso, e poupa uns 10 km de caminhada em trilha, o que significa bem mais esforço! Além disso, os assentos são abertos e você ainda curte a paisagem sentadinho e descansando da trilha!

IMG_4930

Tratorzinho abençoado! hehehe

Outra dica: a fazenda Água Fria, onde estão localizados os passeios nas cavernas, também oferece almoço, mas não recomendamos por questão de custo de oportunidade. Se seu tempo é pequeno, faça a “almojanta” em um restaurante panorâmico como o da pousada Atmã ou do Morro dos Ventos. OK, esses são restaurantes mais caros, “gourmetizados” e tal, mas são mais gostosos e contam com uma vista maravilhosa. Mas fica a dica.

Centro geodésico

Trata-se do ponto equidistante tanto sul/norte quanto leste/oeste da América do Sul, ou seja, o umbigo da parte sul do continente americano. Atualmente, o local está, em tese interditado, por conta de um deslizamento de terra e, por isso, guias oficiais não podem entrar lá. Assim, se você quiser ir até lá, seu guia ficará esperando no carro e você assume seu próprio risco. Na verdade, com cuidados sensatos, não há riscos.

O local é apenas um mirante de um lindíssimo vale que coloca em perspectiva sua posição perante o mundo. Lugares assim são ótimos para meditação e reflexões existenciais. Agende a visita para o fim da tarde. O acesso é super fácil e fica na beira do asfalto, mas não há muita sinalização, mas todo mundo sabe onde fica, cerca de 7 km de Chapada de Guimarães.

IMG_4957

Umbigo da América do Sul, centro geodésico.

Centrinho de Chapada de Guimarães

A cidade de Chapada de Guimarães é pequena (apenas 15 mil habitantes) e é um bom lugar para passear após as trilhas, já de banho tomado. Há barzinhos, pizzarias simples, várias opções de comidas. A cidadezinha tem também a Igreja de Nossa Senhora de Santana do século XVII, estilo barroco, com paredes largas, simples, mas linda.

Além disso, se você quiser comprar lembrancinhas para a família e amigos, temos duas dicas: a loja ONNG, que tem camisetas divertidas da região, e a galeria do Leo Rocha (www.leorochabrasil.com.br), que vende arte indígena.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Igreja de Nossa Senhora de Santana.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Igreja de Nossa Senhora de Santana.

Morro dos ventos

O Morro dos Ventos, na verdade, é um condomínio residencial que possui uma área de lazer com restaurantes bacaninhas e vistas lindas. Se você não for aos restaurantes, deve pagar uma entrada de R$ 20,00. Mas se você for almoçar, basta avisar na portaria. Compensa para depois das trilhas.

De lá, é possível ver outra queda de um riozinho que, pela altura, faz um espetáculo que pode ser captado pelas plataformas construídas para a contemplação.

IMG_5199

Não deixe de visitar o Morro dos Ventos!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Plataforma para observação.

Trilha do morro de São Jerônimo

Infelizmente pelo tempo curto, não foi possível fazer a trilha que leva até o Morro de São Jerônimo, mas sem dúvidas, a atividade já está nos nossos planos. Quem já foi, conta que há paisagens incríveis durante os 24 km de trilha (ida e volta), ou seja, separe um dia inteirinho e bastante lanche na sua mochila.

Durante o caminho, testemunhe as formações geológicas antigas do nosso querido planeta e, depois de tanto esforço (subidinha esperta J), seja congratulado com uma visão completa da Chapada dos Guimarães.

Há a opção também de pernoitar no vilarejo de São Jerônimo no sopé do morro. Informe-se com seu guia.

Cidade de pedra – visão superior

Esse é um passeio “must-do” da Chapada dos Guimarães, pois ele proporciona uma visão única dos paredões vermelhos da Chapada, contrastada com o verde escuro das matas e ainda com as fortes cores das Araras que constroem seus ninhos nas alturas. Com chuva ou sol, o lugar é incrível. Com neblina fica meio misterioso e valoriza suas fotos.

IMG_5104

Impressionante a beleza desse lugar.

As escarpas monumentais esculpidas pelo forte intemperismo da região ativam nossa imaginação para imagens de uma cidade antiga, pré-histórica, com uma energia indescritível. No fim da tarde, o sol baixo acentua as cores avermelhadas. A caminhada, na parte superior, é muito fácil. São apenas 4 km de asfalto da cidade, mas há mais 19 km de terra, que, às vezes, a estrada pode estar um pouco difícil para carros de passeios. Assim, antes de ir, informe-se na cidade sobre as condições do caminho. Não há estrutura de apoio por lá. Então, leve seu lanche e água.

IMG_5038

Imensidão e felicidade, mesmo na chuva!

Trilha do Vale do Rio Claro e Cidade de Pedra – visão inferior

O escasso tempo e as chuvas também não permitiram que fizéssemos essa trilha do Vale do Rio Claro e a visão da Cidade de Pedra pela parte inferior. O passeio parece ser bonito mesmo, mas se você tiver que escolher entre os atrativos, opte por aqueles mais diferentes das paisagens em outras regiões Brasil. E certamente os gigantescos paredões da Cidade de Pedra estão entre eles.

Esse atrativo consiste em um caminho acidentado e repleto de bancos de areia, ao longo do cerrado e de veredas até o sopé dos paredões avermelhados que formam a Cidade de Pedra. As nascentes do rio Claro proporcionam pontos para banho e flutuação, como em Bonito (clique aqui). Há também um mirante “Crista do Galo”.

Trilha dos Dinossauros

Essa atração não aparece nos guias oficiais e soubemos dela pelos nossos guias locais. Várias pessoas da região nunca fizeram essa trilha, mas quem fez disse que é uma das mais legais, em razão das formações rochosas que lembram os dinossauros. Guarde um dia para fazer a trilha e conte com um guia, que fará o passeio apenas  informalmente, porque não há credenciamentos para a visitação. Nós também não fizemos esse passeio, mas deu uma vontade grande!

Dica final: Se você tem mais tempo, dê uma esticadinha até o município de Nobres, que fica a apenas 150 km de Chapada de Guimarães e descubra um lugar que dizem, ser mais lindo que Bonito. Não visitamos Nobres ainda, mas está nos planos. Mas Bonito é Maravilhoso e já falamos dele AQUI.

IMG_4840

Mais formações rochosas divertidas!

IMG_4844

E aí, bora para a Chapada dos Guimarães? Pode nos chamar que a gente quer voltar!

5 comentários

Pular para o formulário de comentário

  1. Lucinez Cunha

    muito lindo e muito” Bem Feito”Parabéns!!!!Chapada dos Guimarães merece muita atenção!!!

  2. Nivia Antunes

    Uma apresentação a altura da Chapada dos Guimarães. Sou Mineira, mas estou aqui a alguns anos e digo de coração; lugar como aqui e coisa rara de se ver, e olha que amo minha terrinha que por sinal tem lugares maravilhosos. Aqui só falta a parceria público privado para as coisas entrarem nos trilhos. Parabéns pela matéria pelo capricho e pela competência. O umbigo da América agradece… Salve

  3. Mariana de Souza

    Excelente narrativa! parabéns!

  4. Marco Guimaraes

    Cyntia,
    Excelente post, principalmente pela narrativa envolvente e toques historico-culturais.
    Estou indo pesquisar o local em breve e foi muito útil.
    Tecnicamente só senti falta comentar os custos dos passeios, hospedagem e restaurantes.
    Siga escrevendo que isso também é uma estrada!
    Saudações!

    1. Bernardo

      Marco, desculpe pela demora na resposta, e obrigado pelos elogios, bem como pela sugestão sobre a indicação dos preços. Grande abraço!

E o que você achou dessa viagem? Não deixe de compartilhar com a gente as suas impressões!